Eu acho que contei no início do meu desenvolvimento que antes de ser médium da Umbanda, eu era agnóstico cético e anti-religião…pois é, o mundo dá voltas. E é por dar voltas que venho contar o que é estar do outro lado agora, após um tempinho já como Umbandista. E também, como a minha percepção mudou, passando por algumas fases nesse período, as quais tento descrever:

Revolta

Eu sempre fui um cara meio revoltado com a religião, radical, então quando me perguntavam: – O que acha de igreja? Eu ria e falava que era uma palhaçada. Bom isso se prolongou durante anos e ainda tenho meus problemas com algumas coisas que vejo por aí, afinal, a parte financeira da religião é algo que ainda me incomoda. Afinal, se é caridade e doação, porque receber por isso, mas beleza, o papo não é sobre isso, um dia entendo.

A raiva de um sistema com bastante corrupção humana sempre esteve ali, eu olhava para figuras religiosas e queria ficar longe, pois é, não é um sentimento bacana e espero nunca mais sentir algo parecido.

Início duvidoso

Olha, como foi difícil para mim admitir que estava mesmo gostando daquilo para os amigos, parentes, etc. Eu estava encantado com a Umbanda, gostei muito mesmo, senti coisas ali que nunca senti na vida, porém, no início senti uma mistura de medo e até de vergonha ao dizer: opa, sou macumbeiro sim. Bom, essa fase se prolongou por um tempinho só, porque eu realmente gostei tanto, que queria gritar para o mundo: Cara, esse negócio é sensacional!

Mas a dúvida sempre esteve ali durante essa fase. Olha que louco, eu receber um santo, quem diria…e como todo médium novato vai concordar, quem nunca pensou: Isso aqui é realmente coisa da minha cabeça. Quem nunca leu blogs por aí falando de incorporação? (Essa é piada com os leitores) Quem nunca tentou mover o braço incorporado? Sim, eu também fiz isso amigo.

Porém, passa-se o tempo e a dúvida começa a diminuir e se transforma.

Aceitação

Ok, eu recebo santo e sou macumbeiro, legal. Acho que quando eu parei e realizei na minha mente o que isso significava eu fiquei sem palavras. Eu tenho muita sorte de ser um cara que posso fechar meus olhos em uma gira e sentir vibrações, a presença, esse sentimento é muito lindo. Tenho muita sorte de cantar e bater palmas, de ajudar o amigo que está cambaleando no vai e vem, que escrever para o pessoal agora e tentar ajudar um pouquinho se quer. É, realmente, eu sou macumbeiro!

Aceitar o que eu sou, posso dizer que foi um dos passos mais importantes da minha vida espiritual e até mesmo pessoal. Tudo correu mais tranquilo.

Orgulho

Eu acho que a fase que estou agora é diferente, é a fase onde eu conheço uma pessoa e se sentir a necessidade de contar que sou Umbandista, eu falo na hora. É legal gente, estamos na moda 🙂 Estamos arrasando aí porque podemos algumas coisas únicas: ajudar o próximo, nos doar a uma causa maior, fazer caridade, nos entregar de coração a uma coisa, ter amor e sentir-se realmente feliz de estar ali.

Essa meus amigos, é a fase que estou agora, a fase de ler palavras carinhosas da leitora Claudia e agradecer, de sentir-se realizado por poder reservar alguns minutos na madrugada, mesmo tendo que acordar cedinho, para responder e escrever esse post. A fase do orgulho de ser Umbandista, de ser macumbeiro, de receber santo, de falar com Exú do capeta, como alguns dizem por aí, de fazer tudo isso com muito carinho, amor e dedicação.

Espero ter passado um pouquinho mais de como sou nesse post.

Axé amigos e claro, boa semana a todos.