Olá pessoal, meu nome é Rafael e sou um jovem médium de Umbanda. Novamente venho descrever o que acontece comigo nas giras e narrar um pouco do meu desenvolvimento.

Na casa, à qual participo, saúda para Ogum, chefe da casa, e meu pai de cabeça. Na última última gira, estava tocando atabaque, e na saudação, que é cantado um ponto para ele, senti a presença muito forte. Para descrever um pouco da sensação física, imaginem a vez que ficaram mais arrepiados, agora multipliquem por 10, é mais ou menos a sensação que tive. Na mesma hora cheguei o atabaque para o lado, me levantei e comecei a tremer, muito. Após isso, fiquei um pouco em pé para me recompor e voltei ao atabaque, nesse momento tocamos para boiadeiro e Bahia, mas não senti nada (deve não estar tão próximo de mim ainda).

A pausa para o intervalo aconteceu e voltamos para a gira de Exu. Nem me sentei no atabaque pois já sabia que iria acontecer. Primeiro tocou-se para Pomba gira, e no próximo toque, comecei a sentir novamente a presença e deu-se início a tremedeira. Eu sempre menciono a tremedeira porque é muito forte e todos falam que isso diminui com o tempo, portanto, fiquem tranquilos (me tranquilizando também). Após uns 3 minutos, aconteceu. Abri os olhos imediatamente e já sabia que esse momento não estava normal, eu não estava totalmente ali, é muito difícil explicar. Eu tinha consciência de tudo, tinha todos os sentidos, mas tinha certeza que algo mudara, iniciava a incorporação.

Na minha cabeça só passava um pensamento, que continuou até o fim, sou eu? E comecei a fazer alguns testes, como tentar fechar o olho, levantar o braço, andar, e nada acontecia. Comecei a relaxar e deixar acontecer. Um malandro incorporado veio me saudar e começou a dançar, me provocando, no bom sentido. Para minha surpresa, comecei a dançar, com passos muito desengonçados e grande dificuldade, acompanhados de um sorriso, como se estivessem puxando minha boca, sentia ela rindo fixamente (Um traço dos malandros). Um malandro brincou com um médium da casa e eu dei uma gargalhada disso, uma boa gargalhada, a qual foi respondida pelos outros malandros (muito interessante esse ponto, me senti muito bem).

Após uns 15 minutos incorporado com o malandro, os passos cessaram e o sorriso ficou sério, comecei a tremer e achei que acabaria, mas, para minha surpresa, voltei incorporado novamente. Sério, ranzinza, se assim posso chamar, com o peito aberto, como se fosse forte, passos diretos, sem brincadeiras ou risos (outra personalidade), acredito ser um Tranca rua. Então, comecei a andar, e uma coisa foi bem curiosa, ele (digo ele, pois essa personalidade não era minha) olhava sempre lá para fora, como se estivesse visualizando algo, ou procurando algo. Após um tempo andando de lá pra cá, começou a cumprimentar todos com o braço, nesse momento específico, tive a quase certeza que era eu e não uma entidade, fiquei muito preocupado de estar enganando as pessoas, foi aí que para minha surpresa algo aconteceu, que eximiu todas as dúvidas. No último médium que cumprimentara, ele não encostou os braços e sim abraçou, um abraço bem profundo, seguido de um passar de mãos nos braços do médium (um tipo de passe, eu acho).

Após alguns minutos incorporado, voltei a mim. Uma sede absurda e um cansaço forte momentâneo tomaram o meu corpo. Bebi a água que um dos médiuns trouxe para mim e comecei a cantar. No fim, cantamos para as crianças e lá comecei novamente a tremer, me levaram para o centro da gira e todas as crianças ficaram rodando a minha volta, brincando e pulando. Algumas vezes esbarravam, e isso me dava uma sensação forte, como se o esbarrão deles me jogasse pra fora dali. Dessa vez não foi possível incorporar, pois uma das crianças me imitou tremendo (eu falei que tremia muito), arrancando risos dos médiuns que tentavam segurar, e de mim, que ri da situação de tanto tremer.

Após alguns minutos tremendo, parei e voltei para meu lugar e assim terminou mais uma gira. Ali sabia que muitas coisas mudaram e tinha consciência que tudo seria diferente.

Saravá.